O Bandido da Luz Vermelha


Gênese


João Acácio Pereira da Costa nasceu em 20 de outubro de 1942, em São Francisco do Sul (SC). João Acácio, ao lado do irmão mais velho Joaquim Tavares Pereira, foi criado por um tio após a morte precoce dos pais. Após a tragédia familiar, Acácio foi morar na casa do tio José Pereira da Costa, em Joinville, Santa Catarina.

Anos mais tarde, já famoso nacionalmente após sua prisão em Curitiba (PR), em 1967, Acácio relatou maus-tratos cometidos por seu tio tutor José Pereira. "Luz Vermelha" chegou a declarar que ele e o irmão foram submetidos a torturas físicas e psicológicas pelo tio, que depois negou as acusações.


Após fugir da casa do tio, Acácio passou a viver nas ruas de Joinville, onde praticava pequenos delitos como roubos de guarda chuvas e roupas em lojas. Acácio se tornou figurinha carimbada dentro do município após varias passagens por pequenos roubos e furtos.  

O Terror da Capital Paulista


No início da década de 1960 chegou a São Paulo e se estabeleceu em Santos. Nessa época, já havia desenvolvido uma série de obsessões. A mais forte era com a cor vermelha, que ele associava à força demoníaca. Seu pequeno apartamento em Santos, zona portuária da cidade, era todo decorado de vermelho. Era tido pelos vizinhos como um jovem afável, que, no auge da Jovem Guarda, gostava de se vestir como Roberto Carlos. Nessa época, começou a viajar de ônibus para assaltar casas de luxo na capital paulista.

Morando em Santos, e tendo o crime como profissão, "Luz Vermelha" se tornou um dos criminosos mais temidos de São Paulo. Agindo de forma impetuosa com suas vitimas, o bandido proporcionou 5 anos de aterrorização publica, com dezenas de assaltos, estupros e assassinatos.

A identificação do criminoso foi possível através dos registros digitais coletados por peritos nas cenas dos crimes onde "Luz Vermelha" atacou. A policia começou então a caça ao criminoso que foi manchete em todos os jornais da capital paulista. João Acácio, utilizando-se de um nome falso fugiu de São Paulo para Curitiba, onde foi encurralado pela policia. "Luz Vermelha" e submetido a exaustivos interrogatórios.

Até ser preso, em 1967, no Paraná, o Bandido da Luz Vermelha cometera 77 assaltos, dois homicídios, dois latrocínios e sete tentativas de morte. Calcula-se que ele tenha estuprado mais de 100 mulheres. As vítimas nunca deram queixa. Condenado a 351 anos de prisão, ele chegou a receber flores e bilhetes apaixonados das vítimas de estupro. Depois de cumprir os 30 anos de prisão previstos na Constituição – dos quais os sete últimos foram passados em um manicômio – foi libertado no final de 1997, embora ainda demonstrasse sinais de sérios problemas psiquiátricos.

Crimes


João Acácio confessou quatro homicídios durante os interrogatórios realizados pela policia, efetuados nos últimos dois anos antes de sua prisão. 

A Primeiro homicídio cometido por "Luz Vermelha" aconteceu em 3 de outubro de 1966, á vitima foi o estudante Walter Bedran, de 19 anos, que, na tentativa de surpreender o bandido, foi alvejado com um tiro na cabeça no quintal de sua casa em Sumaré. 


O Segundo homicídio aconteceu dez dias após o primeiro, a vítima foi o operário José Enéas da Costa, 23 anos, assassinado durante uma briga em um bar na Bela Vista.

A terceira vítima foi o industrial Jean von Christian Szaraspatack, em 7 de Junho de 1967, no Jardim América, que após um troca de tiros, foi vitimado pelo bandido.

Um mês após a morte do Industrial Jean von Christian Szaraspatack, no dia 6 de Julho, João Acácio matou o vigia José Fortunato, quando o mesmo tentou impedir sua entrada em uma mansão na qual fazia guarita, no bairro do Ipiranga. 

Liberdade e Morte


Quatro meses e cinco dias depois de sua libertação, João Acácio teve um surto de violência na casa onde morava, de favor, com a família de Nelson Pilzengher. Quando atacou o irmão do pescador com uma faca, foi morto com um tiro de espingarda


João Acácio, "O Bandido da Luz Vermelha" encontra-se sepultado no Cemitério Municipal São Sebastião, bairro Iririu, em Joinville (SC). O jazigo é revestido com piso cerâmico, sem tampa concreta e lápide de identificação. O tumulo possui somente uma inscrição feita com tinta plastica contendo a seguinte mensagem:

Bandido da Luz Vermelha, João Acácio, Terror da década de 60


No Cinema


Em 1968, estreava nos cinemas brasileiros, o filme "O Bandido da Luz Vermelha", de Rogério Sganzerla.


Entrevista do Homem que Matou João Acácio


A morte de Luz Vermelha mudou completamente a vida do pescador Nelson Pinzegher, autor confesso do crime. Morando ainda no mesmo local, ele não se arrepende de ter matado um dos maiores bandidos brasileiros da década de 60. No entanto, sua vida mudou completamente. Dificilmente alguém entra no seu bar na localidade de Vigorelli, a 20 quilômetros de Joinville, para consumir. Todos aparecem no local para ver e conhecer o local onde João Acácio foi morto.

Pinzegher diz que passou fome, não teve condições de pagar o advogado e hoje com ajuda de um político da região conseguiu alguém que lhe defenda no julgamento do próximo ano. "Hoje tenho de fazer 'bicos' para sobreviver. Aquele dia ficou marcado para sempre principalmente para minha família", conta. Nesta entrevista, ele fala da expectativa do julgamento, previsto para março de 99.

A Notícia - Ao completar um ano do assassinato de Luz Vermelha , o que mudou em sua vida?

Nelson Pinzegher - A freguesia no meu bar caiu muito desde o crime. Só os antigos amigos aparecem. Hoje, tenho que fazer alguns "bicos" para sobreviver. Aquele dia ficou marcado para sempre principalmente para minha família. O bandido agora sou eu.

AN - Você ainda guarda algum trauma do que aconteceu?

NP - Toda família ficou traumatizada. Minha mãe até hoje não esquece o que aconteceu. Eu fui a pessoa que mais ajudei Luz Vermelha, mas se a Justiça tivesse dado auxílio quando pedimos nada disso tinha acontecido. Porque não me deram apoio antes? Quando ele estava morto já era tarde.

AN - Se o julgamento ocorrer em março, você acredita na sua absolvição?

NP - Deixo isso por conta da Justiça. Não vou fugir. Se alguém é culpado pela morte é a Justiça. Pedimos ajuda na imprensa e isso tudo está registrado. Se me dessem apoio, hoje eu não seria um assassino.

AN - Você ainda não tem advogado para fazer sua defesa? O que houve na verdade com seu antigo advogado?

NP - Não tinha como pagar o advogado. Ele cobrava R$ 200,00 para cada consulta. Cheguei a passar fome e todos os lucros do bar estavam indo para pagar as despesas. Tudo é um grande pesadelo, já pensei em vender tudo e começar uma vida nova. Poucas pessoas entendem o meu caso e aparecem aqui só para especular sobre o crime.

AN - Que avaliação você faz de Luz Vermelha ?

NP - Ele não regulava muito bem. Nunca deveria sair da cadeia, ninguém pode ser normal fazendo tudo aquilo que ele fez com minha família. Ele precisava de um tratamento longo, mas quem passa 30 anos na cadeia nunca mais será a mesma pessoa.

AN - A vida ficou mais tranqüila na Vigorelli depois do assassinato?

NP - Todo mundo está mais tranqüilo. Para lhe contar a verdade ele (Luz Vermelha) tinha um lista com nove pessoas que ele queria matar. Eu fui o primeiro da lista.

AN - Você está arrependido?

NP - Não me arrependo. Minha família hoje poderia estar morta. Acredito numa Justiça justa e apenas estou esperando uma sentença. (Nelson sai, em silêncio, vai ao banheiro, fica ausente por algum tempo e volta com os olhos cheio de lágrimas).

AN - Mas você não se arrepende de alguma coisa, de ter feito tudo isso por um homem que mal conhecia e depois matá-lo para proteger a família?

NP - Olha, minha mulher ajudou esse cara quando eu estava fora da cidade pescando. Ela não tem maldade, veio do interior de Minas Gerais. Nunca pensei que tudo isso iria acabar numa tragédia. E outra coisa, daquela semana ele não passava, estava fora de si, uma cisma de cadeia, sabe? Ninguém podia falar em grupo que ele pensava que estavam falando dele, tenho uma fita das coisas que ele falava de madrugada para minha mãe, que está guardada com o advogado. Vou provar tudo na Justiça. Agora, o que resta para mim é acreditar em Deus. (MAB)

Corpo de João Acácio

Fontes: Folha de São Paulo, Memorial Globo (Linha Direta), Jornal A Noticia.
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Autor Jorge Eduardo

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