O Homem da Cartola - Parte 2: O Ritual Macabro

Obs: escrevendo esse relato não me dei conta de como ele estava enorme, para contar a tragédia de uma família precisa-se de espaço, e essa história se contada detalhada daria um livro, estou enviando a continuação, como essa parte 2 também ficou grande não sei se o dono do blog vai publicar se sim, entenderei como sinal verde para enviar a terceira e última parte da angustiante história da minha vida, vou começar, preparem-se...

No dia seguinte ao do ataque dela, minha casa ficou muda. Ninguém tocava no assunto, não sei se era porque a experiência foi muito traumatizante ou porque estavam escondendo algo de mim, afinal eu era uma criança, já bastava uma na casa sendo atormentada, meus pais não queriam duas. Então já que ninguém falava comigo, comecei a espiar, sempre fui muito bom nisso: andar pela casa sem fazer barulhos, aparecer nos cantos sem que ninguém percebesse, eu ficava honrado desse talento inútil, minha mãe tinha até me apelidado de ‘’fantasma’’ e, em uma das noites ele me serviu finalmente.

Entrei debaixo da cama dos meus pais sem que percebessem e comecei a escutar o que sussurravam um para o outro, algumas vezes era baixo de mais, mas pude entender o necessário, meu pai dizia: - Dessa vez ele pegou pesado com ela... Minha mãe parecia conter um novo choro e isso me fez encher os olhos de lágrimas.

- Mas nós não sabemos se ele está fazendo isso com nossa filha, ela realmente pode estar sendo atormentada por uma espécie de demônio sei lá! –Minha mãe sussurrava de um jeito histérico, meu pai respondeu: - Você acha mesmo que não seja isso? Não se lembra do que aconteceu há uns anos atrás? Claro que você lembra, foi você quem achou o banho de sangue no quintal! Arisquei-me a colocar a cabeça fora da proteção da cama e pude ver o rosto da minha mãe inchado de tanto chorar, ela repetia com as mãos no rosto: - Por favor, não me faça lembrar desse dia! Por favor, por favor!

Os dois se abraçaram, meu pai disse: - Temos que levar em conta tudo que nos aconteceu, para acharmos uma solução pra esse maldito problema! Ontem eu fiquei assustado com os gritos dela...
-Eu sei, imaginei ela despedaçada na cama quando chegamos, mas graças  Deus ela estava bem...temos que fazer alguma coisa, isso ta acabando com a gente...

Eu não consegui ouvir o final da frase. Nunca fui um pirralho esperto, mas não pude deixar de entender o que estava acontecendo ali, MEUS PAIS CONHECIAM O HOMEM DA CARTOLA!  Falavam ‘’ele’’ o tempo todo, isso só pode significar que eles o conhecem.  A conversa se prolongou e a maioria das coisas eu não compreendi, minha mãe falava de banhos com água, sal e ervas, pesquisar no livro negro, pude ouvir uma coisa que me intrigou bastante, acho que foi minha mãe quem disse: -Logo ela vai sangrar, e o que vamos fazer? Gelei na hora! Eles iam matá-la? Meu pai não acreditava naquilo, pude entender que isso era só mais uma teoria dentre as várias que eles buscavam para os gritos na madrugada de minha irmã, mas minha mãe insistia, queriam falar com minha avó, saber a opinião dela, não pude entender na hora o motivo da minha avó estar no meio da conversa, só sei que no fim das contas eles tinham combinado uma coisa: Minha irmã ia para um centro espírita ser rezada!

Minhas habilidades de espião me levaram a mais uma revelação da minha família, aceitei o fato de ser deixado de lado nessa historia por eu ser uma criança, até porque na época eu só tinha 7 anos, então eu tinha que vigiar tudo, numa tarde fingi que tinha ido á escola e me escondi no quarto, eu sabia que naquela tarde minha avó ia nos visitar. Ela chegou, e pela sua cara as coisas não estavam boas, minha mãe contou tudo a ela, desde os gritos até o clima pesado da casa, passando pelas teorias loucas que imaginaram ontem na cama, minha avó ouvia tudo calada, seu rosto era impenetrável! Mais uma vez não entendi droga nenhuma do que falavam, é nessas horas que compreendo porque crianças sempre ficam de fora em conversa de adultos.

Foi quando ouvi minha avó ter uma reação finalmente, ela gritou: - Minha neta não vai para um antro espírita! lá eles só querem tirar proveito dos problemas dos outros, ela vai pro meu lugar, onde frequento, eu não acho que o que acontece aqui seja um fantasma, dupla personalidade ou o fato dela não ter menstruado ainda, ela acabou de fazer 12 anos, isso é normal.

- Mas ela disse ontem que ‘’ele’’ queria lambe-la lá em baixo... Minha avó interrompeu a filha. – Ela deve ter ouvido vocês com essas teorias ridículas de historias de terror, como vocês mesmo disseram, isso vem ocorrendo já algum tempo não é? Meus pais responderam juntos que sim. – Então me deixem cuidar de minha neta, lá no terreiro vamos descobrir o que há com ela, SE for com ela, ou essa casa talvez... Vamos descobrir!

À noite eu não pude dormir sem passar horas pensando nos acontecimentos dos últimos dias. Isso tudo era um sonho? Minha família era assim tão anormal? Acho que não, apesar de minha irmã ser a que grita de madrugada, sou eu quem sente coisas estranhas dentro de mim, desejos inexplicáveis, sonhos sangrentos, mas claro que eu não falo a ninguém, eu nunca acordei gritando, isso significa que sou forte! Mas minha irmã não, algo acontece com ela, e já que nem todo mundo tem o sangue frio que herdei, talvez de minha avó, tenho que ajuda-la ou pelo menos saber de alguma coisa. Quatro dias depois, meus pais me avisaram que eu ia passar a noite com a vizinha, ela ia dormir aqui em casa para cuidar de mim, já que eles iam passar a noite fora e levariam minha irmã, disseram que iam resolver tudo, fingi que não me importei e fui dormir, mas pus meu plano em prática, idiota fui eu! Pois depois daquela noite, não consegui mais comer carnes...

Usando meu ‘’fantasma’’ interior me escondi no compartimento de malas do carro do meu pai, ninguém percebeu, a vizinha idiota achava que eu dormia no quarto. Meu pai dirigia, minha mãe ia no carona e minha irmã estava deitada no banco de trás, parecia desacordada. Horas depois chegamos a uma espécie de sitio afastado da cidade, bem afastado, aqui só tinha arvores e poucas casas, era tudo tão vazio e sombrio!

O carro estacionou no que parecia um pequeno campinho de peladas, exceto pela fogueira que queimava no centro do campinho de terra batida, levaram ela para um circulo de pessoas todas vestidas de branco, reconheci minha avó entre eles dançando de um modo estranho, ela girava enquanto outros se ajoelhavam e se arrastavam pelo chão, depois que vi aquilo, decidi ficar no carro mesmo.

Foi quando um grito aterrador invadiu o espaço antes preenchido pelos cantos estranhos das pessoas, todos pararam, e o grito continuou não parecia ser humano, era metálico, forte e cheio de dor, procurei desesperado atrás do vidro do carro pelos meus pais, mas não os encontrava, de repente todos saíram do circulo inicial e ficaram numa meia lua, assim pude ver a fogueira e algo mais...engoli o choro, pus a mão na boca pois o impacto daquela cena me atingiu em cheio.

Um bode estava pendurado e amarrado com as suas patas arreganhadas em todas as direções, os gritos eram dele, seus olhos fitavam o vazio, assustados, abaixo dele dormia num colchão minha irmã, uma velha de cabelos vermelhos apareceu e enfiou um facão na barriga dele, foi tão estranho ver a lâmina grossa desaparecer na barriga daquele animal, na hora brotou um jorro de sangue assustador, o bode só grunhiu, as pessoas começaram a soltar o que parecia ser risadas misturadas com cantos e gemidos de êxtase, me chocou mais ainda ver o sangue do bode ser derramado todo em cima da minha irmã, lavando ela como um banho macabro de morte, quanto mais o animal tremia mais a velha o rasgava com o facão e mais ele jorrava sangue em cima dela!

A velha entoou: - Salve meu Guardião do Mar cruel, encha-nos com tua divina presença! Eu te invoco para ajudar uma inocente alma atormentada... Começei a chorar, meu corpo estava gelado, na verdade tudo estava gelado! Ela continuou: - Só por Ti que sangro, só por Ti que como, só por Ti bebo, só por Ti que creio meu mestre de fogo! Nessa hora todos os outros entoaram juntos: Uma gargalhada alucinante e então tudo parou... Todos olhavam para um velho de cabelos brancos que andava em direção á velha, ele olhou para ela e disse: - Tu chamas as forças negras, e Eu respondi...o que desejas de mim?

 – Respostas eu procuro, essa alma está se quebrando e não sei o porquê, ajude-me mestre!
O velho olhou para minha irmã, coberta de sangue, na hora que ele a viu, ela acordou tossindo o sangue que tinha engolido, o velho parecia com pena dela. – Ela tem um corpo aberto minha serva, é propicia de sofrer, infelizmente! Almas tristes... Sua neta está destinada a ver coisas, a sentir coisas, e essas coisas vão atingi-la se não trabalharem esse dom!

- Como faço para tirar esse mau de dentro dela? O velho deu uma gargalhada e respondeu: - O mau não está dentro dela mulher, ela só é atingida por ele, ele a tortura porque ela é sensitiva, tudo que a rodeia a atinge de maneiras diferentes, ele no caso, só quer ver morte!

- Ele quem mestre? me diga! Gritou à velha. O mundo foi ficando turvo, senti vontade de vomitar, acho que finalmente as loucuras daquela família estavam me transformando, senti que meu coração se contorcia dentro de mim quando todos vestidos de branco naquele campinho batido de terra se viraram para o carro do meu pai e olharam em minha direção! Pude ver a reação das pessoas quando me viram, era medo! Voltei para a mala do carro desesperado, pois eu tinha sido visto! Mas havia algo mais ali comigo, algo que preenchia todo o espaço, estava apertado, comecei a sentir falta de ar, o mundo foi girando e de repente apaguei...

Acordei, e a luz da manha me envolveu. Estava em casa, seguro, confortável, nada do que ocorreu na noite passada parecia ter existido, eu me sentia cansado, como se eu tivesse carregado um piano nas costas, eu tinha dormido nos braços de minha mãe, olhei para cima e ela me fitava tranquilamente, tudo parecia bem, apesar de me sentir um pouco estranho... –Está em casa agora meu filho, você um dia vai se dar mau por causa de suas vigilâncias sabia? Ela riu e me fez rir também, tudo parecia ter melhorado, eu podia sentir no clima da casa, uma luz no fim do túnel. – O que aconteceu mãe? Ela vai ficar bem? Isso vai parar de machuca-lá?

Ela afagou meus cabelos. – Está quase tudo acabado meu amor, só falta uma decisão e logo tudo vai ficar bem, acho... Ela parecia engolir um choro, ela sentia dor eu pude sentir, mas mesmo assim ela terminou: - Acho que vai acabar tudo bem sim, de certeza! Mas saiba meu amor que sempre vou ama-lo, sempre! Não importa o que aconteça, nossa família o ama muito!

Ela derramou uma lágrima solitária dos olhos, apesar de me sentir estranho, amei o que ela me disse, tudo ficaria bem, só não sabia como, e na verdade não importava, eu só queria isso, o amor de minha família, sei que no fim tudo vai dar certo, sempre dá. Levantei e fui tomar café da manhã com minha irmã, ela estava radiante, limpa, parecia não se lembrar da noite passada, sorte dela, passei a manhã brincando de adedonha.

Esse foi minha última alegria naquela semana, não sabia que o inferno poderia ser real, tudo chegava perto do fim afinal...

NOTA: Eu queria enviar só a parte 2 quando terminasse logo à parte 3, pois elas se completam, e lê-las juntas faria a história ser melhor entendida, mas aconteceu algo ontem( 11/06) minha irmã, que ainda mora comigo, achou o arquivo do homem da cartola, dividimos o mesmo PC, ela ficou com muita raiva, nós brigamos, ela disse que eu não tinha o direito de contar isso sem a permissão dela, eu disse que isso não cabia só a ela, pois eu estava mais que envolvido na história, e que ela não foi a única a sofrer física e emocionalmente, mas mesmo assim ela não está falando comigo, contou aos meus pais e o clima aqui em casa ta pesado, ninguém ta falando direito comigo. Fiquei no dilema em terminar essa história ou continuar brigado com minha família, e acho que é obviu o que escolhi... Então acho que não haverá mais, não contarei o final, apesar dele ser relacionado inteiramente a mim, comecei a contar essa história como um desabafo, não aguentava mais esconder o que aconteceu comigo e com minha família, mas é por eles que estou parando. Desculpem...

Compartilhar no Google Plus

Autor Jorge Eduardo

Esta é uma breve descrição no bloco de autor sobre o autor. Editá-lo no html
    Blogger Comentarios

15 5:

  1. Essa história é muito bizarra, sabe eu li os comentários da primeira parte e não achei que parecia com o Slandermen, mas realmente lembrava, parecia que podia ser qualquer coisa, mas agora estou em dúvida, pode ser QUALQUER coisa, o problema parece ser sua familia, ora parece ser sua irmã e se entendi bem, aquelas pessoas de branco ficaram com medo de você? cada vez mais estranho...e que porra foi aquela com o bode?!!
    por favor continue a história, da um jeito ai cara, manda sem ela saber pow

    ResponderExcluir
  2. Mto pior que a 1ª parte Berg !!
    Meu Deus =0
    Deu mais medo .. Isso é mto teeeenso, tipo ..msmo =0

    ResponderExcluir
  3. Olha eu ki relato da hora. Sensacional tive sorte de telo aqui no ID

    ResponderExcluir
  4. Por favor continue eu preciso saber o que aconteceu????????????/

    ResponderExcluir
  5. Imaginei tudo enqanto lia sua historia!
    Eu pude sentir algo forte dentro de mim qnd li a primeira part e senti novamente agora q li a segunda parte...
    Fiqei curiosa em saber o final desta historia, mas se sua familia ñ aprova eu entendo Bergson! Afinal, eu ponho-me no lugar de sua irmã mais tmb me ponho em seu lugar. Sei q qres dsabafar esse pensamento e esse sentimento q lhe atormenta por todos esses anos... Talvez um dia vc termine a historia da sua familia!
    Espero q todos possam compreende-lo meu amigo...

    ResponderExcluir
  6. Por favor continue contando a história, estou aflita para saber o que aconteceu com você. Eles não te mataram, e isso é uma notícia boa. Mas o que você tem para deixarem as pessoas do centro espirita tão assustados? Você é ele, o Homem da Cartola?.

    ResponderExcluir
  7. J EDU que massa essa idéia de relatos, meu que massa, espero que ele mande a terceira parte, realmente consegui imaginar tudo oque ele contou!!!
    POR FAVOR ARRUMA UM JEITO DE CONTINUAR, VAI NUMA LAN SEI LA!!!

    ResponderExcluir
  8. Cara uma história muito boa ja bolei algumas teorias para o final teoria numero 1:você é quem estava possuído por isso vc não sabia de nada por isso só via o final e tentavam exorcizar o que estava dentro de vc faria muito sentido seria interessante.

    ResponderExcluir
  9. Parece uma história muito fantasiosa pra mim. Você se esconder na mala do carro sem perceber, e fazer todo esse suspense "será que termino ou não". Mas de qualquer maneira, você escreve muito bem. Parabéns.

    ResponderExcluir
  10. Essa história ser verdade me parece ser improvável, mesmo que eu não duvide de nada. Mas concordo com a colega aí, vc escreve muito bem.
    http://minhamiseravelvida.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  11. Pessoal serio, eu quando era criança aconteceu isso com um amigo de escola e ele até se mudou do meu bairro,... o mesmo homem da cartola....

    ResponderExcluir
  12. puts ele n postou o fim ahhhhhhhhhh

    ResponderExcluir

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial